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Como fazer pesquisa de palavras-chave do zero

Victor Prevato
29 de agosto de 2026
10 min de leitura
Planilha com termos agrupados por blocos coloridos na tela durante aprendizagem de como fazer pesquisa de palavras-chave

Muita gente trata esse trabalho como tarefa de ferramenta. Não é. A ferramenta ajuda a estimar volume e dificuldade, mas as duas decisões que definem o resultado de uma pesquisa de palavras-chave, o que agrupar e o que priorizar, continuam sendo suas.

Tanto é que a maior parte das listas de palavras-chave que existe por aí nunca virou página nenhuma. Elas param no arquivo porque foram feitas ao contrário: mil termos coletados, zero decisões tomadas.

O roteiro abaixo funciona com ferramenta paga e funciona sem. O que muda é a precisão da estimativa de volume, não a lógica.

Passo 1: Liste os termos-semente a partir do negócio

Termo-semente é a palavra mais óbvia que descreve o que você vende. Você não precisa de ferramenta nenhuma para achá-los, precisa de meia hora e honestidade.

Escreva quatro listas:

  • O que você vende. Cada produto, serviço ou linha, com o nome que o cliente usa (não o nome interno).
  • O problema que você resolve. As frases que o cliente diz quando ainda não sabe o nome da solução.
  • Onde você atende. Cidades, bairros, regiões, se o negócio for local.
  • As perguntas que você mais ouve. Preço, prazo, dor, garantia, “isso serve para mim”.

A quarta lista é a mais valiosa e a mais ignorada. Se o telefone toca com a mesma dúvida cinco vezes por semana, alguém está digitando essa dúvida no Google.

Duas fontes internas ajudam muito aqui: o histórico do WhatsApp comercial e as perguntas que chegam pelo Instagram. É linguagem real de cliente, não suposição de marketing.

Passo 2: Expanda as sementes

Agora você transforma 15 sementes em algumas centenas de variações. Seis fontes, todas acessíveis.

Autocomplete do Google. Digite a semente e não aperte enter. Depois repita adicionando letra por letra (“implante dentário a”, “implante dentário b”) e as sugestões mudam. É o método mais barato de descobrir como as pessoas realmente terminam a frase.

Buscas relacionadas. Ao fim da página de resultados. Mostram os vizinhos semânticos do termo.

People Also Ask. O bloco de perguntas no meio da SERP. Ele se expande conforme você abre as perguntas, e cada abertura carrega novas. Serve tanto para descobrir termos quanto para montar a seção de perguntas frequentes das suas páginas.

Search Console. Se o site já existe, esta é a melhor fonte que você tem, porque são buscas em que o Google já te considerou candidato. Exporte as consultas com a janela de 16 meses e filtre por impressões altas com clique baixo, que é onde estão os termos que você quase ganha.

Concorrentes. Abra os sites que aparecem no top 5 dos seus termos centrais e leia os títulos das páginas e os menus. Você não precisa de ferramenta para ver que um concorrente tem oito páginas de cidade e você tem uma.

Planejador de Palavras-Chave do Google Ads. Gratuito com conta criada, mesmo sem campanha ativa. Sem investimento, ele mostra faixas de volume em vez de números exatos, o suficiente para comparar magnitude. Use as funções de descobrir novas palavras a partir de um site: coloque a URL do concorrente e veja o que ele cobre.

Jogue tudo numa planilha única, com uma coluna de origem. Não filtre ainda.

Passo 3: Leia volume, dificuldade e intenção (nessa ordem de desconfiança)

Três colunas guiam o resto do trabalho, e cada uma engana de um jeito diferente.

Volume é estimativa, não medição. Trate como ordem de grandeza: dezenas, centenas ou milhares. Termo com volume marcado como zero pode trazer cliente, porque buscas muito específicas costumam ser subnotificadas.

Dificuldade é uma nota inventada por ferramenta, calculada quase sempre a partir de links das páginas que rankeiam. Ela erra para os dois lados. Complemente com um olhar direto na SERP: se o top 10 é só marketplace e portal grande, a nota não importa, aquilo é caro.

Intenção é o que decide se a página vai converter. Quem busca “o que é lente de contato dental” quer entender; quem busca “lente de contato dental preço campinas” quer contratar. A mesma página não atende os dois, e tentar atender os dois é o motivo mais comum de conteúdo que traz visita e não traz contato. O conceito está detalhado em intenção de busca, que vale a leitura antes de você classificar a planilha.

Classifique cada termo com um rótulo simples: informacional, comparação, transacional ou navegacional. Uma coluna, quatro valores.

Passo 4: Agrupe por SERP, não por semelhança de palavra

Este é o passo que separa quem faz pesquisa de palavras-chave de quem faz lista de palavras-chave.

A tentação é agrupar por parecença: “preço de implante” e “valor de implante” na mesma pilha, “implante dentário” e “implante dentário unitário” em outra. Só que quem decide se dois termos moram na mesma página é o Google, não a sua intuição.

O método é direto. Pegue dois termos que você acha parecidos, busque os dois em janela anônima e compare os dez primeiros resultados. Se cinco ou mais URLs se repetem, o Google entende que é a mesma necessidade e uma página só resolve. Se quase nada se repete, são páginas diferentes, mesmo que as palavras sejam quase iguais.

Isso evita os dois erros caros. O primeiro é canibalização: dois textos seus disputando o mesmo grupo, com o Google alternando entre eles e nenhum firmando. O segundo é o inverso: enfiar dois grupos distintos na mesma página e não rankear direito para nenhum.

Faça essa checagem só nos pares duvidosos. Não é preciso comparar tudo com tudo. Na prática, você resolve um cluster inteiro conferindo cinco ou seis pares.

Passo 5: Priorize pela proximidade da venda

Com os grupos formados, ordene. E o critério não é volume.

Use três perguntas, nesta ordem:

  1. Quem busca isso está perto de comprar? Termo com preço, cidade, “perto de mim”, nome de serviço ou comparação de marca vale mais que termo de curiosidade.
  2. Você tem chance real de rankear? Olhe quem está lá. Se são concorrentes do seu porte, dá. Se é só portal nacional, deixe para depois.
  3. Você tem o que dizer melhor que o top 5? Se não tem caso, foto, dado próprio ou detalhe de execução, a página vai ser mais uma.

Monte a fila em três blocos. Bloco 1: fundo de funil, com chance real, que é o que pode gerar contato ainda no primeiro semestre. Bloco 2: meio de funil e comparações. Bloco 3: topo de funil e temas amplos, que sustentam autoridade no assunto mas demoram.

Volume alto com intenção informacional quase sempre pertence ao bloco 3. Publicar isso primeiro é o motivo número um de projetos que crescem em tráfego e não em faturamento, assunto que aparece de novo quando alguém pergunta em quanto tempo o SEO dá resultado.

Passo 6: Transforme em plano de páginas

Grupo de palavras-chave sem destino não é plano. Cada grupo precisa virar uma linha com: grupo, termo principal, intenção, URL de destino, tipo de página (serviço, categoria, pilar, apoio), status (existe, reescrever, criar) e prioridade.

Duas regras fecham o trabalho. Um grupo, uma página. E página que vende não mora no blog: termo transacional aponta para página de serviço ou de categoria; termo informacional vira artigo que linka para essa página.

Defina a malha de links internos já na planilha, com uma coluna de “linka para”. Se o link interno ficar para depois, ele não acontece.

A partir daqui, a planilha entra no calendário editorial e vira produção, que é onde o planejamento de SEO pega essa pesquisa e distribui ao longo de doze meses.

Exemplo trabalhado: clínica odontológica em Campinas

Uma clínica de três dentistas, com foco em implante e estética, site pequeno com página inicial, página “sobre” e uma página de “tratamentos” que lista tudo junto.

Sementes. O que vende: implante dentário, lente de contato dental, clareamento, aparelho invisível, prótese. Problema do cliente: “dente quebrado”, “perdi um dente”, “dente amarelo”, “dente torto”. Onde atende: Campinas, Barão Geraldo, Cambuí. Perguntas frequentes no balcão: quanto custa, quantas sessões, dói, o convênio cobre, quanto tempo dura.

Expansão. O autocomplete devolve “implante dentário preço”, “implante dentário vale a pena”, “implante dentário quantas sessões”, “implante dentário campinas”. O People Also Ask entrega “quanto tempo dura um implante dentário” e “quem tem diabetes pode fazer implante”. O Search Console mostra que a clínica já tem impressão para “lente de contato dental campinas” na posição 19, sem nenhum clique. Ou seja, o Google já a considera candidata e ela não tem página para isso.

Agrupamento por SERP. “Implante dentário preço” e “implante dentário quanto custa” retornam praticamente os mesmos resultados: um grupo, uma página. Já “implante dentário” e “implante dentário campinas” retornam SERPs bem diferentes: a primeira é dominada por conteúdo explicativo e portais de saúde, a segunda traz o pack local e sites de clínicas da cidade. São duas páginas, e confundir isso é o erro que mantém clínica invisível na própria cidade.

Priorização. Bloco 1: “implante dentário campinas”, “lente de contato dental campinas”, “clareamento dental campinas”. São termos com intenção comercial, concorrência local do mesmo porte e demanda existente. Bloco 2: “implante dentário preço”, “lente de contato dental vale a pena”, “aparelho invisível ou aparelho fixo”. Bloco 3: “quanto tempo dura um implante”, “dente quebrado o que fazer”.

Plano de páginas. Uma página de serviço por tratamento principal, com a cidade no conteúdo e na URL quando fizer sentido, quebrando a página genérica de “tratamentos” que hoje concorre consigo mesma. Um artigo pilar sobre implante, com os artigos de dúvida linkando para ele, e o pilar linkando para a página de serviço. Perguntas de balcão viram seção de perguntas frequentes dentro das páginas de serviço, não posts separados.

Um detalhe que a clínica não pode ignorar: publicidade odontológica tem regras do conselho profissional. Nada de promessa de resultado ou foto de antes e depois usada como propaganda. Isso não limita a pesquisa de palavras-chave, limita o texto, e é melhor descobrir agora do que depois de produzir vinte páginas.

Perguntas frequentes

Quantas palavras-chave preciso ter no fim da pesquisa?

Não é o número de termos que importa, é o número de grupos com destino definido. Um negócio pequeno costuma terminar com 20 a 40 grupos, o que dá trabalho de doze meses. Lista de mil termos sem agrupamento não serve para produzir nada.

Dá para fazer pesquisa de palavras-chave sem ferramenta paga?

Dá. Autocomplete, buscas relacionadas, People Also Ask, Search Console e o Planejador do Google Ads cobrem descoberta e magnitude de volume. Você perde precisão de estimativa e velocidade na análise de concorrente, não a qualidade das decisões.

Com que frequência devo refazer a pesquisa?

Uma revisão por trimestre resolve, olhando o Search Console para ver que consultas novas apareceram sozinhas. Refazer do zero só quando o negócio muda: serviço novo, cidade nova, público novo.


Se a sua lista de palavras-chave já existe mas nunca virou página, o que falta é a ponte entre pesquisa, arquitetura e calendário. É exatamente isso que o planejamento estratégico de SEO monta, e você termina com um mapa de páginas em vez de uma planilha parada. Antes de escrever qualquer coisa, vale passar os títulos pelo analisador de texto SEO para conferir se o termo principal está onde deveria estar.

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